Conceito Santar Vila Jardim

Mantendo uma tradição secular de simbiose entre a casa e o lugar, a Casa de Santar e Magalhães reinventa-se, promovendo o desenvolvimento social, cultural e económico da região. Inserida numa região vinhateira, a vila de Santar distingue-se por ser atravessada por um conjunto contínuo de jardins históricos, da Casa de Santar e Magalhães à Casa das Fidalgas, hoje Valverde Santar Hotel & Spa, enquadrados por vinhas que marcam profundamente a paisagem.

O projeto procurou valorizar esta singularidade urbana e paisagística, revelando recantos, vistas e histórias, e reforçando a identidade do território através de uma narrativa: visitar Santar pelos seus jardins. Sob a orientação do arquiteto paisagista Fernando Caruncho, definiram-se estratégias de intervenção orientadas com o intuito de promover ligações entre os diferentes espaços para posterior abertura ao público, salvaguardando preciosamente o espírito do lugar. Os princípios de Fernando Caruncho e a sua abordagem serena à paisagem tornaram-no a escolha natural para conduzir este desenho.

O visitante poderá, através dos jardins, partir à descoberta do património edificado, das vistas, das gentes e das tradições de uma das mais antigas e bem preservadas vilas do país.

Tradição, inovação, união e sustentabilidade

O projeto nasce com a vontade da família Vasconcelos e Sousa de preservar e valorizar o património material e imaterial da Casa de Santar e Magalhães, num contexto plural, aberto à comunidade, promovendo o desenvolvimento social, cultural e económico da região.
Identificamos duas características marcantes da Vila:
Desta visão nasce uma narrativa inovadora: visitar uma vila histórica, o seu património, através dos seus jardins e dos seus jardins de vinha.

Dois conceitos que estão na base da filosofia deste projeto:
memória e “artealização”.

Memória

Memória como as raízes de uma árvore que enfrenta a vida;
como elemento que cria laços e permite evoluir na continuidade;
como forma de projectar o futuro e reforçar a identidade do lugar.

Memória para homenagear o passado, como herança cultural e reconhecimento colectivo e individual. Não apenas como olhar para trás, mas como meio de compreender o presente e construir o futuro com coerência.

Memória como guardião do espírito do lugar, como instrumento de humanização e testemunho, como responsabilidade e ligação harmoniosa entre passado e futuro, como sabedoria e fermento do autêntico.

Esta autenticidade traduz-se numa Casa de Santar vivida pela família, numa vila fiel às suas rotinas rurais, numa Misericórdia e Igreja activas na comunidade, e num futuro que respeita e reforça a identidade cultural.

“Artealização” ou criação de arte in situ, no lugar – arquitetura paisagista

Como pedra angular do projecto Santar, vila Jardim, está a cultura vinhateira ancestral na região. Esta, não só determinou uma paisagem e um modus vivendi próprio como, desde há séculos está presente nos costumes e tradições populares e religiosas. As procissões, as festas das vindimas, o trabalho dos campos e os ciclos do vinho são ainda uma realidade.

Assim, a artealização – inserção de uma modulação artística – dos jardins de Santar proposta por Fernando Caruncho, vem respeitar e reforçar esta identidade cultural. Não se pretende criar uma vila museu fossilizada que esqueça o essencial: a dimensão humana de quem aqui vive. Antes pelo contrário. O que se pretende é que quem aqui chegue possa usufruir de uma experiência única, de sabor genuíno, tomando contacto com uma ambiência ancestral que soube evoluir no tempo adaptando-se a realidade presente.

Diz Fernando Caruncho, que os jardins têm linguagem universal, que transcende diferenças civilizacionais e culturais por terem uma linguagem que toca primeiro o coração antes de chegar ao espirito podendo assim modificar o nosso pensar.
É essa, sem dúvida, a aposta de Santar Vila Jardim